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Suzanne Collins: A Esperança

Título original: Mockingjay
The Hunger Games: #3
Autor: Suzanne Colins
Editora: Rocco
Páginas: 424
Ano: 2011

ISBN: 978-85-7980-086-3
Tradutor: Alexandre D’elia


Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo. O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?



Meu nome é Katniss Everdeen. Tenho dezessete anos. O meu lar é o Distrito 12. Participei dos Jogos Vorazes. Escapei. A Capital me odeia. Peeta foi levado como prisioneiro. Imaginam que ele esteja morto. Há uma grande chance de ele estar morto. Provavelmente é melhor que esteja morto...


Essa semana foi o lançamento da primeira parte da adaptação do último livro da trilogia The Hunger Games, A Esperança, e para "comemorar" vamos de resenha!


Neste último livro, Katniss se depara com algo que imaginava ser impossível, o lendário distrito 13 existe e mais, planeja com a ajuda de outros Distritos derrubar a Capital livrando Panem da opressão liderada pelo Presidente Snow, mas para que a revolução siga a diante e ganhe força eles precisam de um símbolo e querem fazer de Katniss esse símbolo, o tordo.

O que eles querem é que eu assuma verdadeiramente o papel que designaram para mim. O símbolo da revolução. O Tordo. Não é suficiente o que fiz no passado, desafiando a Capital nos Jogos, fornecendo um ponto de reorganização.

A Esperança para mim foi uma excelente conclusão, não estou dizendo que fui indiferente aos fatos minimamente amargos que ocorrem no livro, porque pela voz de Katniss o leitor acaba se apegando aos personagens.
A perspectiva da garota em chamas é tão boa que é possível sentir suas dúvidas, medos, anseios, ódio e amor pelas demais personagens – isso nos três livros –. Você acaba pensando junto com Katniss, e não adiantado ou atrasado, o que torna a narrativa envolvente.
Continuando na linha dos personagens, Collins não foi piedosa, é como se fosse formada uma fila para o abate, sem piedade ela vai eliminando um á um. Em alguns trechos reli para entender o que estava acontecendo, era mais ou menos assim:
Eu lia:
O quê?
Relia:
Por quê?
Deixava o livro, ponderava, voltava a ler.

SE NÓS QUEIMARMOS, VOCÊ QUEIMARÁ CONOSCO!

O “felizes para sempre” não existe, porque estamos no meio do caos de uma revolução, são personagens humanos que estão envolvidos nessa disputa sangrenta, e Collins constrói essa humanidade em cima de sentimentos, suas personagens são caldeirões de emoções, que geram motivação para defenderem seus ideais. E quando o livro chega ao fim o sentimento que fica não é de alívio e sim de peso, porque as marcas da guerra permanecem.
A Esperança é de longe o mais violento, intenso e pesado dos três livros, existe uma evolução da história, fazendo do livro um fechamento perfeito da obra, amarrando-o aos anteriores.
Isso tudo porém não mudou minha opinião, Em Chamas continua sendo meu livro preferido da trilogia. 


Mas há jogos muito piores que esse.

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Raphael Draccon - Espíritos de Gelo

Título Original: Espíritos de Gelo
Editora: Leya Brasil
ISBN: 9788580442861
Ano: 2011
Páginas:176
Tradução: Livro Nacional



Espíritos de Gelo navega pelo tempo e investiga fenômenos mágicos. Resgata aspectos de culturas milenares ao passo que viaja pela contemporaneidade - envolvendo desde séries de TV e os mais novos roteiros de Hollywood a bandas de rock e suas histórias surpreendentes. Seus personagens vivem e revivem histórias que parecem verdadeiras lendas urbanas. Neste livro, nada, absolutamente nada, é previsível. Quais são os limites físicos e psicológicos de um ser humano? O que ele é capaz de suportar? Quem pretende entrar no universo de Espíritos de gelo e descobrir isso, precisa se preparar para viver emoções intensas - pois quando amor, dinheiro e poder se misturam qualquer final pode ser trágico.

Esse livro não tem nada a ver comigo, e continuo achando isso, mas o que me impressionou foi que mesmo assim não foi uma leitura ruim, pelo contrário.

Se você não lembrar do que aconteceu nas últimas horas, nós faremos com que sofra ainda mais, como se estivesse nos Nove Círculos do Inferno...

Já imaginou se acordasse numa sala com as mãos acorrentadas e cercado por três supostos sádicos que querem saber o por que de você ter ido parar numa banheira de gelo sem um rim? 
Deixa eu adivinhar, nunca imaginou essa cena. Mas comece, e some ainda a situação que você não consegue lembrar de nada, algo está bloqueando suas lembranças e eles farão de tudo para que você lembre, te torturando psicologicamente e principalmente fisicamente até que você lembre.
É nessa situação que o protagonista da história - que em momento algum recebe um nome - se encontra, e quanto mais ele se lembra do que aconteceu, menos quer lembrar.

Existem três coisas capazes de virar a cabeça de uma pessoa: amor, dinheiro e poder. Dê ou tire qualquer um desses itens, e ela enlouquece.

Draccon não tortura apenas a personagem tudo continua ressoando na mente do leitor que quer gritar: Pare! E ele não para, as torturas só aumentam e quanto mais o desfecho se aproxima mais angustiado você fica, só quer que aquilo pare, já chega!
E mesmo assim, não tira os olhos das páginas. 
Toda as cenas do cativeiro são bem descritas e apesar de rápidas agonizantes. O leitor também sente-se torturado.

Pensando bem, eu preferia que ele a tivesse machucado. 

O personagem é estereotipado, o tipico garoto supérfluo que tem o mundo nas mãos, o que me incomodou, mas admito que se encaixa na história, tudo se encaixa, por mais inacreditável que seja a cena, ela se encaixa com o contexto final.
E que final!
Perdi o folego na página 163 - na minha edição -, não conseguia acreditar naquelas palavras, mas elas faziam todo sentido! 
Gostei muito que as cenas no cativeiro sejam intercaladas com a história anterior, assim o leitor realmente as sente como lembranças.
A diagramação é simples e o livro bem curto.
Um ponto novo que Draccon trouxe para mim foi a inserção de referências diretas em seus textos, não estou acostumada, mas gostei, apesar de ter achado exagerado, devido a quantidade.

Para quem vai ler, esteja preparado para a surrealidade as escondidas e para torturas.